Siddhartha, um poema indiano, de Hermann Hesse

Siddhartha de Hermann Hesse é inspirado na história do mestre religioso e fundador do budismo no século VI a.c.,  Siddhartha Gautama.

O Siddhartha Gautama histórico é criado isolado do mundo num palácio, e o seu pai tentou esconder-lhe sempre a realidade exterior e o sofrimento humano. Mas um dia Siddhartha sai do seu palácio e vê um idoso, depois um doente e finalmente a morte num corpo em decomposição. Perturbado com estas visões, Gautama parte do seu palácio como asceta, procurando respostas para o sofrimento humano.

Buddha in Sarnath Museum (Dhammajak Mutra)
Uma estátua representando Buda feita em Sarnath, no século IV.

A história de Siddhartha de Hermann Hesse

Tal como Gautama, o Siddhartha de Hesse viveu numa casa sem preocupações e sem conhecer a miséria e o sofrimento humano. Todos o admiram e amam, mas Siddhartha não é feliz, e a sua sede de conhecimento e de sabedoria impele-o a partir um dia de casa em busca de respostas para as suas inquietações.

“É necessário encontrar a Fonte Primordial no fundo do Eu, possuí-la em nós mesmos! Tudo o resto era demanda, era desvio, era erro.” (página 15)

Govinda, o seu amigo e admirador incondicional, seguiu-o para se juntar a um grupo de ascetas. Os dois despojaram-se das suas vestes, fizeram períodos de jejum e abraçaram uma vida vazia de desejos.

Mas Siddhartha ao fim de 3 anos percebe que essa vida não lhe dará aquilo que ele procura, e parte de novo desejando alcançar o Nirvana, ou a Iluminação por outro caminho.

A partir deste ponto Siddhartha vai passar por diversas experiências, passando inclusive por uma fase de usufruto dos maiores prazeres da vida, como o sexo e as riquezas materiais.

No final da sua vida descobre que afinal os extremos não são a forma de se encontrar a paz interior, mas sim o caminho do meio, o equilíbrio entre o prazer e a dor.

“Nesse momento, Siddhartha desistiu de lutar com o destino, desistiu de sofrer. No seu rosto brilhava a serenidade da sabedoria a que nenhuma vontade se opõe, que conhece a perfeição, que está em sintonia com o fluxo dos acontecimentos, com o curso da vida, cheia de compaixão, cheia de simpatia, entregue à corrente, parte da unidade.” (página 129)

Este é um livro cheio de beleza e de reflexões importantes. Vale a pena conhecer esta pequena história que nos ensina a sermos um pouco mais sábios nas nossas escolhas, e um dos maiores fundamentos do budismo: O caminho do meio.

Editora: Leya, SA

Páginas: 142

ISBN: 978-989-660-207-9

Tradução: Pedro Miguel Dias

Créditos de Imagem:

Estátua de Buda – By พระมหาเทวประภาส วชิรญาณเมธี (ผู้ถ่าย-ปล่อยสัญญาอนุญาตภาพให้นำไปใช้ได้เพื่อการศึกษาโดยอยู่ภา่ยใต้ cc-by-sa-3.0) ผู้สร้างสรรค์ผลงาน/ส่งข้อมูลเก็บในคลังข้อมูลเสรีวิกิมีเดียคอมมอนส์ – เทวประภาส มากคล้าย (Tevaprapas Makklay (พระมหาเทวประภาส วชิรญาณเมธี)) [CC BY-SA 3.0 (http://creativecommons.org/licenses/by-sa/3.0)], via Wikimedia Commons