Peito grande, ancas largas – Mo Yan

Peito grande, ancas largas, de Mo Yan

 

Quando li este livro, em Setembro de 2015, o meu gosto pela leitura encontrava-se adormecido há alguns anos por razões misteriosas.

A minha vontade de criar um blogue e partilhar algo com o mundo motivou-me a voltar a ler, e este foi um primeiro grande desafio desta nova fase de vida.

A forma crua com que Mo Yan  mostra a dura realidade rural da China desde o início do século XX, não me deixou indiferente…

A história:

Shangguan Lu, após uma infância dura, casa-se com Shangguan Shouxi, mas este não consegue gerar filhos.

Lu vai tendo fora do casamento várias filhas, sempre pressionada a gerar um filho varão, e sofrendo actos de crueldade e violência por parte da própria família.

A história é narrada pelo filho que irá nascer por último, o Jintong, omnipresente muito antes do seu próprio nascimento.

Ao longo de praticamente um século vamos assistir aos costumes culturais da época, às dificuldades provocadas pela guerra, à fome e à extrema pobreza, onde as mulheres são as verdadeiras guerreiras que assumem o controle das situações, e lideram com determinação.

A força da escrita de Mo Yan é inegável. Provocadora.

Depois do nascimento de mais uma filha:

“- Deves achar que deste mais um grande contributo, não é? Deitas cá para fora putas atrás de putas e julgas que tens o direito de fazer da tua sogra uma criada para todo o serviço! (…) Se calhar violei alguma ordem celeste, noutra vida, ao sacrificar um boi velho, ou coisa assim, e é esta a minha paga. Devia estar louca, ou cega que nem um morcego, para ter ido arranjar uma mulher como tu para casar com o meu filho!” (página 87)

A obsessão de Jintong pelos seios da mãe e das irmãs é curiosa, e alivia um pouco o peso da cruel realidade:

“No universo das mulheres Shangguan, os seios da Fada dos Pássaros tinham de ser considerados de primeira água. Eram delicados, mimosos, atrevidos, com os mamilos ligeiramente revirados para cima, pontiagudos como o focinho de um ouriço-cacheiro. (…) A partir do momento em que tomei consciência do que se passava à minha volta, descobri que a gama de beleza de uns seios é vasta; se não se deve asseverar levianamente que uns certos seios são feios, facilmente se poderá afiançar que uns outros são bonitos. Ouriços-cacheiros são muitas vezes belos, sim, mas também os leitões o são.” (página 235)

Assista aqui ao meu 1º vídeo no Youtube, sobre este livro:

Editora: Babel

Páginas: 602

ISBN: 978-972-568-570-9

Tradução do Inglês: João Martins