Orfeu Negro de Marcel Camus

Antes de ver o filme Orfeu Negro, a única coisa que eu sabia sobre ele é que era uma adaptação do mito de Orfeu aos tempos modernos. Como adoro mitologia, é claro que fiquei curiosa para saber como é que isso iria ser feito.

O filme passa-se numa favela no Rio de Janeiro, em plena época de Carnaval. Um dos primeiros personagens que conhecemos é Orfeu, um jovem rapaz negro que está prestes a casar com a sua noiva, Mira. Nesse momento eu pensei “ok, a relação com o mito está no nome deste personagem, tudo bem!”.

Mas quando descubro que uma bela moça, que está à procura da casa da sua prima na favela, se chama Eurídice, aí comecei a ficar preocupada! Fiquei com medo que a história fosse idêntica à do mito, que tem um final trágico! Eu não queria que esta história de Orfeu e Eurídice acabasse de forma tão triste… Se teve ou não um final idêntico ao mito, isso claro que não lhe vou contar!

O que eu posso contar é que o amor que nasce entre Orfeu e Eurídice no filme é muito bonito, inspira ternura e vale a pena conhecer! E os pormenores que o ligam ao mito são interessantes, como por exemplo a guitarra de Orfeu. Orfeu quiz comprar primeiro a sua guitarra, antes de comprar o seu anel noivado para a Mira, porque antes de tudo, Orfeu é um músico!

A música que acompanha a história também é excelente, composta por Tom Jobim e Luiz Bonfá…

O mito de Orfeu e Eurídice

Orfeu foi na mitologia um célebre poeta e músico. Tinha uma lira que lhe tinha sido dada por Apolo. As musas ensinaram Orfeu a tocar a sua lira. Quando Orfeu tocava, todos se encantavam, e até os animais ferozes paravam para o ouvir.

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Estatueta de Orfeu com a sua lira, rodeado de animais.
Orfeu casou com a sua amada Eurídice. Um dia Eurídice encontrou Aristeu que a tentou violar. Ao fugir, Eurídice calcou uma serpente que a mordeu e matou.

Desesperado, Orfeu desceu ao Tártaro para tentar resgatar Eurídice do mundo dos mortos. Com o seu canto conseguiu que o barqueiro Caronte o levasse a atravessar o rio que separava os mundos dos vivos e dos mortos.

Orfeu encantou também com a sua música o cão de 3 cabeças que guarda a entrada do reino das sombras, o Cérbero. De seguida suavizou a crueldade de Hades, que permitiu que Orfeu resgatasse Eurídice com a condição de não olhar para trás enquanto não se encontrasse sob a luz do Sol. Eurídice seguiu Orfeu, mas este não resistiu a olhar para trás para se certificar que ela o seguia, perdendo assim para sempre a sua amada.

Outras adaptações do mito

O mito de Orfeu e Eurídice inspirou outras adaptações, cujo final foi ligeiramente alterado para não ser tão trágico. Duas delas foram em ópera, que, para quem gosta de música clássica e encenações teatrais vale a pena conhecer:

Orfeu de Claudio Monteverdi

Orfeu e Eurídice de Christoph Willibald Gluck

 

Desafio 4 da Cinematona Especial Óscares – √

Realização: Marcel Camus

Ano: 1959

Duração: 1h45

Género: Drama, Comédia, Musical, Romance

A minha pontuação: 7/10