Projecto de Leitura: Odisseia de Homero

Em Julho de 2016 iniciei no meu canal do youtube o meu projecto de leitura e exploração do grande clássico, A Odisseia de Homero. Inicialmente previ fazer a leitura em 6 meses, um canto da obra por semana. Mas a exploração dos temas e histórias mitológicas tem sido tão rica e intensa, que tive de extender o projeto para 2017…

A análise de cada canto está a ser feita em vídeo onde, além do resumo do poema, exploro um pouco as histórias da mitologia relacionadas com o texto.

Estas sinopses aqui do blogue servirão como complemento. Espero que sejam úteis aos leitores desta grandiosa obra.

O herói da Odisseia é Odisseu, cujo nome é derivado do grego. Em Portugal é tradição adotar-se a forma latina do nome, Ulisses.

Ulisses na ilha de Calipso (estátua)
28. Ulisses na ilha de Calipso (estátua)

Poderá ver o vídeo de apresentação do projeto aqui.

Poderá também ver a lista dos personagens e referências mitológicas que estão presentes na Odisseia neste artigo aqui.

Sinopses dos Cantos da Odisseia (atualizações serão feitas ao longo do projecto)

Canto I

Ulisses encontra-se retido na ilha de Calipso.

Os deuses reunem-se em Concílio e Atena convence Zeus a ajudar na libertação de Ulisses e no seu regresso a casa, Ítaca.

Zeus diz que não é dos deuses que provêm as desgraças dos homens, mas são estes que as provocam. Refere Egisto que com as suas acções provocou a sua própria morte.

Árvore genealógica de Egisto e Agamemnon
Árvore genealógica de Egisto e Agamemnon

Atena vai ao palácio de Ulisses em Ítaca onde encontra Telémaco. Atena convence Telémaco a partir em busca de notícias do seu pai.

Penélope é cortejada por vários pretendentes que rondam há vários anos o seu palácio e que consomem as riquezas de Ulisses.

Pode ver o vídeo de resumo do Canto I aqui.

Canto II

Telémaco reune os Aqueus em assembleia para tentar que os pretendentes de Penélope saiam da sua casa. Conta-se que há 3 anos Penélope tece uma mortalha para o seu sogro, Laertes, dizendo que no final irá escolher um marido. Mas Penélope desfaz a mortalha durante a noite, adiando assim a sua decisão.

Pintura “Penélope e os pretendentes” (1912), de John William Waterhouse
Pintura “Penélope e os pretendentes” (1912), de John William Waterhouse

Haliterses profetiza que Ulisses não tardará a chegar e a matar os pretendentes. No entanto Eurímaco não acredita nessas profecias, e diz que eles não vão desistir de fazer a corte a Penélope. Telémaco não consegue assim expulsar os pretendentes do seu palácio.

Atena ajuda Telémaco a partir em busca de notícias de seu pai.

Este canto inicia-se com os seguintes versos, repetidos em diversos outros locais do poema:
“Quando surgiu a que cedo desponta, a Aurora de róseos dedos (…)”. Analisando a sua genealogia, descobri que a deusa Eos é a personificação da Aurora.

Árvore genealógica da deusa Eos (Aurora)
Árvore genealógica da deusa Eos (Aurora).

Veja o vídeo de resumo do Canto II aqui.

Canto III

Em Pilos, Telémaco vai falar com Nestor para pedir-lhe notícias de seu pai. Nestor vai-lhe contar sobre alguns episódios que se passaram na guerra de Tróia e sobre a viagem de regresso.

Nestor relata a Telémaco o episódio da traição de Egisto e Clitmnestra a Agamémnon. No regresso da guerra de Tróia, Agamémnon havia sido morto pela sua mulher, Clitmnestra, e por Egisto, e mais tarde o seu filho, Orestes, vingou a sua morte (ver árvore genealógica de Egisto e Agamémnon no canto I).

Nestor não tem notícias de Ulisses para dar a Telémaco, mas aconselha-o a ir falar com Menelau.

Veja o vídeo de resumo do Canto III aqui.

Canto IV

Telémaco vai visitar Menelau na Lacedemónia para lhe pedir notícias de seu pai. Ao chegar lá, está a decorrer a festa de casamento dos 2 filhos de Menelau.

Árvore genealógica de Menelau
Árvore genealógica de Menelau.

Menelau, ao falar com Telémaco, recorda a sua viagem de regresso da guerra de Tróia, bem como os companheiros que perdeu em guerra. Telémaco chora ao ouvir falar do seu pai, e Helena, a esposa de Menelau, reconhece o filho de Ulisses.

Pintura “Helena reconhece Telémaco” (1795), de Jean-Jacques Lagrenée. Cena do Canto IV da Odisseia
Pintura “Helena reconhece Telémaco” (1795), de Jean-Jacques Lagrenée. Cena do Canto IV da Odisseia

O serão continua, e são recordados os feitos de Ulisses, inclusive a sua estratégia do cavalo de Tróia que permitiu a vitória dos Aqueus.

Menelau conta a Telémaco que, na sua viagem, o velho do mar, Proteu, revelou-lhe que Ulisses encontra-se retido na ilha de Calipso, não tendo embarcação nem homens para regressar.

Entretanto, em Ítaca, os pretendentes de Penélope ao saberem que Telémaco viajou, planeiam uma armadilha para matá-lo no seu regresso.

Veja o vídeo de resumo do Canto IV aqui.

Canto V

Em Concílio dos deuses, Zeus envia Hermes para avisar Calipso que deve libertar Ulisses para que este regresse à sua pátria, em Ítaca.

Calipso vê-se forçada a obedecer, e ajuda Ulisses a construir uma jangada para partir.

Pintura “Calipso” de Henri Lehmann
Pintura “Calipso” de Henri Lehmann

Quando Ulisses parte na jangada, Poseidon provoca uma tempestade no mar, dificultando a navegação do herói. Ino (Leucótea) e Atena ajudam Ulisses a enfrentar a tempestade. Ulisses consegue chegar a uma ilha, e adormece exausto na foz do seu rio.

Veja o vídeo de resumo do Canto V aqui.

Canto VI

Ulisses encontra-se adormecido na ilha dos Feaces, quando é despertado pela bela Nausícaa que brinca com as suas servas com uma bola. Nausícaa é a filha do rei dos Feaces, Alcínoo.

Pintura a óleo (1888) de Ulisses e Nausícaa, por Jean Veber
Pintura a óleo (1888) de Ulisses e Nausícaa, por Jean Veber. Cena do Canto VI da Odisseia

Nausícaa oferece a Ulisses roupas e comida, e guia-o até ao palácio do seu pai.

Veja o vídeo de resumo do Canto VI aqui.

Canto VII

Ao chegar ao palácio de Alcínoo, Ulisses implora que lhe arranjem um transporte para poder regressar à sua pátria. Antes sequer de saber o nome deste estrangeiro, a família de Alcínoo recebe-o com comida e bebida, e manda preparar os aposentos para ele passar a noite.

Árvore genealogica da família de Alcínoo
Árvore genealógica da família de Alcínoo

Antes de se deitarem, Ulisses conta a sua história desde a ilha de Calipso até à chegada aquela ilha.

Alcínoo garante a Ulisses que irá arranjar um transporte para a sua viagem.

Veja o vídeo de resumo do Canto VII aqui.

Canto VIII

Alcínoo organiza uma sessão de jogos para bem receber Ulisses. O herói demonstra aos Feaces a sua habilidade como lançador de disco.

Numa sessão de canto e de dança, o aedo Demódoco canta o episódio da traição de Afrodite com Ares.

Afrodite e Ares supreendidos por Hefesto. Pintura a óleo de Alexandre Charles Guillemot.
Afrodite e Ares supreendidos por Hefesto. Pintura a óleo de Alexandre Charles Guillemot.

Canta também o episódio do Cavalo de Tróia que relembra a Ulisses os companheiros de luta que perdeu. Ulisses chora amargamente com essa lembrança, e Alcínoo, vendo-o naquele estado, finalmente pergunta-lhe o seu nome.

Ulisses no palácio de Alcínoo. Pintura de Francesco Hayez
Ulisses no palácio de Alcínoo. Pintura de Francesco Hayez

Veja o vídeo de resumo do Canto VIII aqui.

Canto IX

Ulisses começa a narrar a Alcínoo e aos Feaces as peripécias que passou na viagem de regresso da guerra de Tróia. Primeiro foi parar à Trácia onde viviam os Cícones, onde Ulisses e os companheiros saquearam a cidade.

Da ilha dos Lotófagos, Ulisses teve de forçar os companheiros a partir, antes que estes comessem as flores de Lótus.

Já na ilha dos Ciclopes, Ulisses teve de planear a sua fuga da gruta de Polifemo, onde ele e 12 dos seus companheiros haviam ficado presos, antes que o monstro os devorasse a todos.

Ulisses na gruta de Polifemo. Pintura de Jakob Jordaens
Ulisses na gruta de Polifemo. Pintura de Jakob Jordaens

Veja o vídeo de resumo do Canto IX aqui.

Canto X

Ulisses continua a sua narrativa da viagem de regresso de Tróia. Depois da ilha dos Ciclopes, vão passar pela ilha de Éolo, onde este deus os ajuda na sua viagem pelo mar, mas os companheiros de Ulisses cometem uma imprudência com consequências para o seu regresso a casa.

Na ilha dos Lestrígones são perseguidos por estes gigantes antropófagos, que lhes atiram enormes pedregulhos.

Quando chegam à ilha de Circe, os companheiros de Ulisses são transformados em porcos pela feiticeira, e mais uma vez Ulisses tem de intervir para conseguir libertar os seus homens.

Circe oferece a taça a Ulisses. Pintura de John William Waterhouse
Circe oferece a taça a Ulisses. Pintura de John William Waterhouse

Ao fim de um ano na ilha de Circe, esta orienta Ulisses como poderá ele chegar à mansão do Hades e falar com o adivinho Tirésias, para que este lhe mostre a forma mais segura de regressar à sua pátria.

Veja o vídeo de resumo do Canto X aqui.

Canto XI

Ulisses chega ao reino do Hades, onde vai encontrar além do adivinho Tirésias e a sua própria mãe, muitas almas com muitas histórias para contar.

O adivinho Tirésias vai instruir Ulisses sobre as dificuldades que irá encontrar no seu regresso a casa, sobre os pretendentes que rodeiam a sua mulher, Penélope, e sobre a sua vingança sobre aqueles.

Encontra a sua mãe e emociona-se. Anticleia encontra-se naquele local pois não suportou as saudades que sentiu do filho, ausente na guerra de Tróia.

Ali no Hades, Ulisses vê:

– Tiro

Árvore genealogica de Tiro
Árvore genealógica de Tiro

– Antíope

Árvore genealógica de Antíope
Árvore genealógica de Antíope

– Alcmena

– Mégara

– Epicasta (Jocasta)

– Clóris

– Leda

– Ifimedeia

Árvore genealógica de Ifimedeia
Árvore genealógica de Ifimedeia

– Fedra, Pócris e Ariadne

– Mera, Clémene e Érifile

– Agamémnon

– Aquiles, Pátroclo, Antíloco e Ajáx

– Minos

– Oríon

– Títio (ou Tício)

– Tântalo

– Sísifo

– Héracles

Veja o vídeo de resumo do Canto X aqui.

Canto XI

Canto XIII

Canto XIV

Canto XV

Canto XVI

Canto XVII

Canto XVIII

Canto XIX

Canto XX

Canto XXI

Canto XXII

Canto XXIII

Canto XXIV

Bibliografia utilizada no projeto:

Homero (2005). Odisseia. Livros Cotovia e Frederico Lourenço. Lisboa.

Joel Schmidt (2015). Dicionário de Mitologia Grega e Romana. Edições 70. Lisboa

Robert Graves (1990). Os mitos gregos (vol 1, 2 e 3). Publicações Dom Quixote. Lisboa

Imagens deste artigo:

1. By Chatsam (Own work) [GFDL (http://www.gnu.org/copyleft/fdl.html) or CC BY-SA 3.0 (http://creativecommons.org/licenses/by-sa/3.0)], via Wikimedia Commons

Imagem de destaque: Herbert James Draper [Public domain], via Wikimedia Commons