O homem em busca de um sentido – Viktor Frankl

Uma história de sobrevivência

O homem em busca de um sentido conta a história do próprio Viktor Frankl sobre a sua sobrevivência em campos de concentração durante a Segunda Guerra Mundial. Ele sobrevive graças a diversos momentos de pura sorte, pois bastava ele ter sido escolhido para integrar outro grupo de prisioneiros com condições mais adversas, para não ter sido, de todo, humanamente possível sobreviver. Mas essencialmente, Viktor Frankl sobreviveu graças à sua força interior. Foi a sua busca por um sentido em relação a tudo o que estava a acontecer, e em relação à sua própria vida, que o manteve vivo em condições tão desumanas.

A sobrevivência dos prisioneiros dos campos de concentração dependia literalmente do sentido que cada um deles encontrava para se manter vivo, pois os seus corpos e as suas defesas reagiam às crenças que cada um tinha na sua mente. Aqueles que perderam a esperança num futuro, simplesmente deixaram-se morrer…

“Aquele que tem uma razão para viver pode suportar quase tudo”. Nietzche

A dura realidade dos campos de concentração

Ao longo da história do livro vamos conhecendo as condições pelas quais aqueles homens passaram: frio extremo sem praticamente terem roupa que os protegesse, muita fome, espancamentos quase diários, e longas horas de trabalho, só para mencionar algumas delas.

Ao longo do livro vamos assistindo a uma degradação intensa da dignidade humana. Tudo isto faz-nos questionar o que era a liberdade em tais condições, e se era possível naquela situação ter algum tipo de liberdade. No limite da sobrevivência, apesar de tais circunstâncias, Viktor Frankl refletiu que era ainda possível escolher a reação e o comportamento em relação a essas circunstâncias.

“Nós, que vivemos em campos de concentração, podemos recordar os homens que iam de caserna em caserna para confortar os outros, oferecendo-lhes o último pedaço de pão. Podem ter sido poucos, mas constituem prova suficiente de que tudo pode ser tirado a um homem, menos uma coisa: a última das liberdades humanas – a possibilidade de escolhermos a nossa atitude em quaisquer circunstâncias, de escolhermos a nossa maneira de fazer as coisas.” – O homem em busca de um sentido, Viktor Frankl

Estes raros homens, no sentido espiritual, conservaram a sua dignidade humana.

A importância do futuro para a sobrevivência

Para aqueles prisioneiros, era uma questão de sobrevivência manter a fé num futuro, apesar da sua libertação não ter data marcada.

Numa das histórias descritas no livro, é contado que um homem um dia teve um sonho em que lhe fora revelado que ele iria ser libertado no dia 30 de Março. Mas à medida que se aproximava o final desse mês, as notícias que iam chegando ao campo revelavam que era altamente improvável que eles fossem ser libertados nessa altura do mês. Ao perder a esperança no seu futuro, no dia 29 do mês de Março este homem adoeceu, e no dia 31 morreu…

A logoterapia e o sentido da vida

Victor Frankl, que também era psiquiatra, desenvolveu posteriormente a logoterapia, que é também brevemente explicada na segunda parte deste livro. Esta terapia procura dar um sentido existencial à vida, como forma de tratamento dos pacientes.

A palavra logoterapia deriva do grego logos, que quer dizer “sentido”.

A angústia existencial é uma característica do ser humano e que pode levar a estados psíquicos negativos. Por vezes, existe aquele sentimento de vazio em pacientes em estados depressivos, e os médicos tentam tratá-los com algum tipo de medicação. O problema é que estes médicos não tentam ir ao âmago da questão, e é nisso que a logoterapia se distingue em relação a estes tratamentos.

Vale a pena ler este livro para relativizar os nossos problemas, e para refletir sobre o sentido da nossa própria existência!

Editora: Lua de Papel

Páginas: 160

ISBN: 9789892319919

Tradução do inglês: Francisco J. Gonçalves

Imagem de destaque:

By Tulio Bertorini (tbertor1) (Flickr) [CC BY-SA 2.0 (http://creativecommons.org/licenses/by-sa/2.0)], via Wikimedia Commons